Eu gosto de escrever, sempre gostei, desde que aprendi. Aliás, escrever foi pra mim umas das grandes conquistas da vida. Eu ainda escrevo e muito, com regularidade. Acontece que hoje eu só escrevo sobre moda. Eu amo escrever sobre moda, mas eu sempre quero falar mais. Sobre tudo. Tenho opinião e inspiração de sobra.
Quando era bem pequena comecei a escrever as primeiras palavras com uma letra ainda meio torta, mas cheia de vontade. Casa, pato, bola... Cada nova palavra era uma vitória. Lembro que "moinho" foi uma das palavras mais representativas, tinha um dígrafo (que àquele tempo eu nem sabia o que era ainda), o que tornava a grafia tão mais difícil, tão mais interessante. Quando comecei a construir as primeiras frases, também comecei a legendar todos os meus desenhos. Tinha a certeza de que com as palavras ali escritinhas, toda mensagem seria mais compreendida. O papel pintado de azul poderia ser o mar, mas com a escrita todos saberiam que se tratava do céu. Aos sete anos de idade eu estava muito preocupada em ser entendida.
A felicidade que tinha para escrever se transformou em milhares de cartinhas e bilhetes de afeto para minha família e especialmente para minha mãe. Foram muitas as cartas a ela. Quando estava na quarta-série, 1997 eu acho, nossa professora Cida criou um correio da turma, onde todos depositavam envelopes que às sextas-feiras eram entregues. Muitas declarações de amizade eterna naqueles papéis de carta que por tanto tempo colecionei. Neste mesmo ano, escrevi minha primeira carta de amor, tinha 10 metros (!!!). Parece que meu coração tinha muito a dizer.
Quando entrei no ginásio, ou Ensino Fundamental II como passaram a chamar, começaram as redações mais elaboradas para a escola. Minha melhor matéria! Notas sempre altas e muito elogios. Eu adorava. Vaidosa que sou, sempre fui de me dedicar arduamente a tudo aquilo que faço bem e escapo daquilo que sou mediana. Segui escrevendo. Espetáculos de teatro, dissertações com opiniões político-sociais, estorinhas lúdicas de um universo mágico que floria minha mente... Diziam para eu me inscrever em concursos de redação, mas eu nunca gostei muito de competições.
Na faculdade de indumentária fui parar numa assessoria de imprensa especializada em moda e virei a rainha dos releases. Da assessoria para um portal, aqui estou, jornalista de moda. Continuo escrevendo e muito, mas menos do que eu gostaria. Então me dei um desafio e a partir de agora serão ao menos dois textos, sobre assuntos diversos, por mês. Ah... moda está fora, pra ela eu já tenho outros espaços. Talvez ninguém leia, mas a verdade é que sempre escrevi para mim. Eu tô precisando escrever mais. Assim será. Quem quiser acompanhar, fique a vontade, esse é um livro aberto.
Um xêro.